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Tostão conta sua carreira

O meia Tostão é, sem dúvida, um dos mais qualificados jogadores que já vestiram a camisa do Coritiba. Ídolo da torcida nos anos 80 e 90, melhor jogador do estado entre 1988 e 1990, Tostão contou detalhes de sua carreira aos Helênicos.


Melhor do estado, entre 1988 e 1990

SEU COMEÇO NO FUTEBOL

HELÊNICOS – Como foi seu começo no futebol?
TOSTÃO – Aos 10 anos, entrei no dente-de-leite do Brasil Futebol Clube, um time do bairro do Macuco, em Santos. Aos 12, a Portuguesa Santista me contratou e acabei artilheiro do campeonato Paulista infantil.

H – É nessa época que surge o apelido Tostão?
T – É. Quando eu tinha uns 12 anos, como jogava na mesma posição do Tostão, do Cruzeiro e da Seleção Brasileira, e achavam que eu tinha um estilo de jogo parecido com o dele, apesar dele ser canhoto e eu destro, começaram a me chamar de Tostão.

H – E o Santos, quando surge?
T – Em 1974, ano em que o Pelé estava saindo da Vila Belmiro, fui jogar no infantil do Santos. Minha estréia no profissional aconteceu em 26 de outubro de 1975, contra o Vitória da Bahia. Mas acabei não tendo muitas oportunidades e me transferi para a Catanduvense, da 2ª divisão paulista. Fiquei lá até 1978, quando retornei para o Peixe.

H – E foi campeão paulista?
T – Fui campeão paulista de 1978, jogando com aquele time que ficou conhecido como “Os Meninos da Vila”, que era comandado pelo técnico Formiga e tinha jogadores como Pita, Nilton Batata, Juary e João Paulo, mas saí antes do campeonato acabar...

H – E foi para onde?
T – Ainda em 1978, fui para o Goiás e consegui um outro título estadual, o de campeão goiano daquele ano. Fiquei lá até o segundo semestre de 1979, quando fui disputar o Campeonato Brasileiro pelo Atlético Goianiense.

H – E permaneceu por lá?
T – Não, em 1980 me transferi para o Mixto, de Cuiabá, onde fui bicampeão matogrossense, vencendo os estaduais de 1980 e 1981.

1982 - MAIS UM TOSTÃO NA VIDA DO CRUZEIRO

H – E foi jogando pelo Mixto que você despertou o interesse do Cruzeiro?
T – É verdade. Em Janeiro de 1982, pelo campeonato brasileiro, vencemos o Cruzeiro por 4x2, com três gols meus. Como o outro Tostão, o da Seleção Brasileira de 1970, tinha jogado no clube mineiro, o presidente do Cruzeiro achou que seria uma boa jogada de marketing comprar meu passe.

H – Mas a sua contratação acabou sendo bem mais importante do que puro Marketing, não é mesmo?
T – Bem, fui artilheiro dos Campeonatos Mineiros em 1982 e 1983, e campeão estadual em 1984.


Cruzeiro de 1984

(Nota dos Helênicos: Tostão disputou 213 partidas e marcou 97 gols defendendo o Cruzeiro)

H – Em 1985, na campanha que levou o Coritiba ao título brasileiro, você enfrentou o Coxa duas vezes. Como foi?
T – Na primeira partida, no Couto Pereira, fiz o único gol da nossa equipe, que foi derrotada por 2x1. Já no Mineirão, o Coritiba se defendeu o tempo todo e quase não passava do meio de campo, mas o técnico Ênio Andrade sabia como armar suas “arapucas”, e o Coritiba, na base do contra-ataque, venceu novamente, desta vez por 3x2.

(Nota dos Helênicos: Nesta partida, o Coritiba jogou desfalcado de Rafael, Vavá, Lela e Édson)

1986 - CORITIBA ADQUIRE SEU PASSE

H – E sua transferência para o Coritiba, como foi?
T – Logo depois de ser conquistado o título brasileiro, o Coritiba perdeu a disputa do Campeonato Paranaense, então o presidente Evangelino resolveu se desfazer de grande parte do elenco e contratar novos reforços. Foi aí que me convidaram. Na época, 1986, também existia o interesse do Botafogo por mim, mas eu pesei o fato do Coritiba ser o atual campeão brasileiro e que disputaria a Libertadores, então preferi vir para cá. Sei que nesta negociação trocaram meu passe pelos passes dos pontas Édson e Gil.

(Nota dos Helênicos: Além de Tostão, o Coritiba contratou outros jogadores que estavam em grandes clubes como Newmar, André Luís, Geraldo e Anselmo. Em contrapartida, além de Gil e Édson, saíram outros campeões brasileiros como Heraldo e Toby)


Tostão e Jorge Martinez, em 1986

H – Quando você chegou ao alviverde, o treinador era Urubatão Calvo Nunes, um técnico “das antigas”, que tinha uma teoria curiosa sobre banhos. O que era?
T – Ah, ele não permitia que os jogadores tomassem banho antes das partidas. Dizia que isso atrapalhava o aquecimento feito pelo atleta.

H – Mas, nas primeiras nove partidas pelo campeonato estadual, o clube perdeu cinco. Por quê?
T – Sei lá. Talvez a história do banho não desse muito certo. (risos)

H – Você era, na época, um dos melhores meias do Brasil, mas demorou a se sobressair no Coritiba. Enfrentou algum problema de adaptação?
T – Sim. No Cruzeiro os treinamentos físicos eram compatíveis com o biotipo de cada atleta. Quando vim para o Coritiba, os exercícios impostos eram iguais para todos os atletas. Assim, tive que participar de subidas da serra da Graciosa, correndo, e também puxar rolo-compressor. Isto me fazia entrar “morto” em campo, com as pernas pesadas. E isso só se resolveu meses depois, quando o ponta Geraldo conversou com o técnico Jorge Vieira, que pediu para diminuírem o ritmo dos exercícios para alguns atletas.

1986 - PRIMEIRO TÍTULO PELO ALVIVERDE

H – E, assim, o Coritiba tornou-se campeão paranaense de 1986, goleando o Pinheiros, na final, por 3x0.
T – Pois é, e eu fiz o primeiro gol da decisão. Foi um momento gostoso. Lembro-me que a torcida invadiu o gramado antes do árbitro apitar o final da partida. Foi uma festa bonita de um clube acostumado a títulos.


Coritiba campeão paranaense de 1986

H – Neste ano também, o Coritiba disputou sua primeira Libertadores, mas não passou da primeira fase. O que houve?
T – O problema é que, naquela época, os times brasileiros não valorizavam muito a disputa da Libertadores. O Bangu começou a perder para os times do Equador e, então, terminamos em segundo lugar na chave. Se fosse no sistema atual, teríamos nos classificado.

H – E, no segundo semestre de 1986, fizemos um péssimo Brasileiro. O que aconteceu para um time que tinha jogadores como Rafael, Dida, Marildo, Tostão, Geraldo, Índio, Almir, Marco Aurélio, Lela, Hélcio e Vilson Tadei, ter um desempenho tão ruim?
T – O ambiente era muito largado, afrouxado. A maioria dos jogadores de futebol precisa que fique alguém em cima dele, cobrando, para ser profissional. Infelizmente, é assim que funciona. E, para piorar, o elenco estava descontente por não ter recebido as gratificações pelo título estadual.

H – De 1987, é fácil recordar da penúltima partida do campeonato paranaense. O Coritiba, já desclassificado, jogaria contra o Pinheiros. Se perdesse, o adversário seria campeão. Se ganhasse, o Atlético teria chances de ser campeão na rodada seguinte. Lembra-se disto?
T – Sim. Quando o grupo se reuniu, antes da partida, vimos um outdoor na frente do estádio com os dizeres “Pinheiros campeão”. Aquilo mexeu com os brios de todos os jogadores, e vencemos por 1x0, com gol meu.


Alviverde em 1987

1988 - EMPRESTADO PARA A INTERNACIONAL DE LIMEIRA

H – Em Março de 1988, você acabou emprestado à Internacional de Limeira. Como foi sua passagem pelo interior de São Paulo?
T – Fui bem. Terminamos em terceiro lugar no paulista e perdemos a vaga na semifinal para o Guarani, que tinha Neto e Paulo Isidoro. Aliás, um dos jornais de São Paulo fez um levantamento e apontou que eu era o jogador que mais tocava na bola entre todos que disputavam o torneio.

H – Meses depois, você voltou para as disputas do Brasileiro. Sob a direção do técnico Leão. Como foi?
T – Fizemos uma pré-temporada muito puxada, em Agosto, e o ritmo continuou forte, mesmo durante as disputas do campeonato, o que fazia o rendimento da equipe cair durante as partidas, pelo cansaço.

H – Depois seis jogos e três derrotas, o técnico Leão caiu e foi substituído por Valdir Espinosa. O que mudou?
T – Ah, ele chegou, botou todo mundo em volta de uma mesa, mandou servir cerveja e perguntou o que estava havendo. Dissemos que estávamos estourados pelo excesso de exercícios físicos e, então, o ritmo dos treinos físicos diminuiu.

H – O time, ainda cansado, perdeu as duas primeiras partidas, mas, na seqüência, começou a vencer e, em 14 jogos, venceu sete e quase se classificou para a fase final do torneio. Parece que a mudança foi boa.
T – Uma das minhas maiores decepções no Coritiba foi não ter ido mais longe com este time de 1988, pois tínhamos um elenco muito qualificado, mas a parte boa é que ele acabou sendo a base para o time de 1989.

1989 - DO PARAÍSO AO INFERNO

H – Em 1989, o Coritiba conquistou o Campeonato Paranaense de forma inquestionável. O time, que tinha, do meio-de-campo pra frente, jogadores como Osvaldo, Marildo, Carlos Alberto Dias, Serginho, Chicão, Sérgio Luis, Kazu e Roberto Gaúcho, além de você, passou por cima dos adversários. Como foi jogar neste time?
T – Foi um grande privilégio, pois, além de estar repleto de atletas com grande qualidade técnica, existia uma união muito grande entre jogadores, comissão técnica e diretoria.


Time de 1989, muito unido

H – A escolha do técnico Edu para comandar essa equipe extremamente técnica foi fundamental, não é?
T – Certamente. Edu foi um craque como jogador e conseguiu passar para a equipe esse refinamento. Ele comandava a equipe de forma muito suave e deixava cada um jogar seu melhor futebol. O Edu sabe como trazer os jogadores para o lado dele.

H – Naquele ano você formou uma dupla infernal de ataque com Chicão. Como foi esta parceria?
T – O Chicão me ajudava demais em campo. Sem ele eu não teria tido o mesmo rendimento. Ele fazia a parede, segurando os zagueiros, para me dar condições de preparar as jogadas ou arrematar a gol.

H – Mas ele também fez muitos gols de bolas centradas por você, certo?
T – É verdade. Mas ele dificilmente perdia uma disputa de bola pelo alto. Além disso, o Chicão era extremamente profissional, treinava muito, foi se aprimorando e teve uma evolução técnica enorme dentro do Coritiba.

H – Outra marca deste ano foi sua performance em Atletibas. Dos oito gols que o Coritiba marcou neles, cinco foram seus.
T – Dois destes gols eu me lembro muito bem. O que fiz na virada por 2x1, no Couto Pereira, e o que driblei toda a defesa deles, no Pinheirão, partindo do meio de campo. Neste gol eu dou um jogo de corpo e faço dois dos zagueiros irem para o outro lado, a ponto de nem aparecerem nas imagens da TV.


Cinco gols no Atlético, em 1989

H – E a decisão, contra o União Bandeirante, que a princípio parecia ser fácil, foi complicada. O que houve?
T – Entramos em campo achando que o título estava ganho, mas encontramos muitas dificuldades para vencê-los. Empatamos a primeira em 0x0 e, felizmente, conseguimos vencer a segunda por 2x0, com um gol meu e outro do Chicão, pois, a impressão que eu tinha é que, se empatássemos também a segunda partida, perderíamos o título no 3º jogo, tal a dificuldade que estávamos encontrando para fazer gol neles e o nervosismo que isto estava causando em nosso elenco.

H – Na seqüência, o time entrou voando baixo no Brasileiro de 1989, fez algumas ótimas apresentações, até que surgiu o problema do jogo contra o Santos em Juiz de Fora. O que você lembra deste episódio?
T – Disputávamos uma vaga com o Vasco e a CBF marcou nossa partida contra o Santos para ser jogada antes da última partida do time carioca, que seria contra o Sport. Assim, eles entrariam em campo sabendo o que precisaria acontecer para se classificarem. Nossa diretoria conseguiu uma liminar na Justiça Comum para que as duas partidas fossem jogadas data e horário iguais, e, assim, decidiu que o time não viajaria para Juiz de Fora.

H – E a CBF acabou cassando a liminar e rebaixando o Coritiba para segunda divisão por não ter comparecido à partida. Triste, não é mesmo?
T – E não foi por falta de aviso. O pessoal da CBF ligou três vezes aos dirigentes do Coritiba, avisando que o clube seria punido de forma exemplar caso não disputasse a partida. Nossos dirigentes acreditaram na liminar, que foi cassada, e o clube acabou sendo rebaixado em um ano que tínhamos uma equipe capaz de vencer o Campeonato Brasileiro. Uma tristeza, realmente.


O time de 1989 deixou saudades!

1990 - PERDEMOS PARA NÓS MESMOS

H – E veio mais um campeonato Paranaense, o de 1990, em que começamos muito bem, mas não levamos o título. O que aconteceu?
T – Ganhamos com facilidade o primeiro e o segundo turno da primeira fase, mas os dirigentes da Federação Paranaense de Futebol resolveram mudar o regulamento e fazer com que apenas os pontos ganhos no hexagonal da segunda fase valessem como critério de desempate para a decisão. Foi aí que começamos a perder o bicampeonato. Bobeamos na primeira rodada do hexagonal, empatando com o Maringá em casa, e não conseguimos mais alcançar o Atlético. Fomos para a decisão contra eles em desvantagem, apesar de termos feito muito mais pontos durante todo o campeonato.

H – E mesmo tendo feito muito mais pontos, perdemos o campeonato sem termos perdido nenhum dos dois jogos finais, não é?
T – É. No primeiro jogo, que terminou 1x1, tomamos o gol no último minuto da partida. No segundo jogo, vencíamos por 2x1 até que um jogador atleticano bateu uma lateral na direção da nossa área. Não tinha nenhum jogador deles na área, mas nosso zagueiro quis garantir e jogar a bola para fora, por cima do gol, mas sua cabeçada para trás só teve força para encobrir o goleiro, e ele acabou fazendo um gol contra.

H – Então perdemos o título para nós mesmos?
T – Infelizmente sim. Do período em que passei no Coritiba, foi realmente minha maior decepção. Nosso time era muito superior aos demais.


Time coritibano de 1990

H – E no Brasileiro da 2ª divisão de 1990 o time foi muito mal. O que aconteceu com aquela equipe?
T – Olha, quando um time começa a ir mal e não consegue reverter a situação de forma rápida, tudo parece que começa a dar errado. Você ataca, ataca e o gol não sai, já o time adversário chuta de longe, a bola dá no calcanhar do teu defensor e entra.

H – Durante a competição, o Coritiba chegou a ser dirigido por Luís Felipe Scolari, técnico que seria campeão do mundo em 2002, e, com ele, três derrotas em três jogos.
T – Quando a situação fica muito ruim, não há o que dê jeito. Precisa desmontar o elenco, mudar de técnico, começar um campeonato novo...

1991 - UM BOM PRIMEIRO SEMESTRE

H – Em 1991, com um elenco e um técnico novo, o Coritiba iniciou um novo campeonato. Como foi esta nova disputa do Brasileiro da 2ª divisão?
T – O Levir Culpi deu uma nova estrutura tática à equipe e fomos muito bem. Vencemos o Bangu nas oitavas, o Paraná nas quartas-de-final, e pegamos o Guarani na semifinal. Quem vencesse iria para a decisão e, automaticamente, estaria na primeira divisão do ano seguinte. Sabíamos que o Coritiba era muito melhor e poderia passar fácil pelo Guarani, tanto que vencemos o primeiro jogo, no Couto Pereira, e precisávamos apenas de um empate em Campinas.

H – É, vencemos em Curitiba por 1x0, com um gol de Heraldo no penúltimo minuto de jogo. E em Campinas, o que houve?


Era difícil parar Tostão

T – O Coritiba pensou só no futebol e esqueceu que o Guarani tinha o presidente Beto Zini e a Federação Paulista de Futebol do seu lado, portanto, deveríamos ter nos preparado para as piores coisas.

H – Como foi a chegada do time no estádio Brinco de Ouro da Princesa?
T – Quando nosso ônibus chegou, tivemos que parar a uns 200 metros da entrada do estádio e passar na frente de um bar onde estavam seguranças do Guarani que agrediram a delegação do Coritiba, mas nada muito violento, não era para machucar, era só para nos deixar nervosos. Depois disto, encontramos a porta do vestiário fechada e tivemos que arrombá-la. Lá dentro havia um cheiro insuportável de formol, mas tivemos que nos vestir ali mesmo, enquanto o Guarani já estava em campo aguardando o início do jogo. Finalmente, quando subimos o túnel, nos deparamos com uma grade fechada com um cadeado, o que impedia nosso acesso ao campo. Somente depois de arrebentar este cadeado é que pudemos, finalmente, ir para o jogo.

H – E na partida, o que aconteceu?
T – Durante o jogo eles perderam um pênalti, mas fizeram 1x0 ainda no primeiro tempo. No segundo tempo voltamos mais calmos, conseguimos dominar o jogo, e o Chicão marcou o gol de empate, que nos daria a classificação, mas o árbitro José Roberto Wright anulou. Depois a televisão mostrou que ele não estava impedido. Com este erro do árbitro, o tempo normal terminou 1x0 e a decisão foi nos pênaltis. Infelizmente, o Nardela perdeu uma das nossas cobranças e caímos fora do campeonato.

H – Quase na mesma época, o Coritiba disputou a Copa do Brasil, eliminando CSA, Paysandu e Botafogo, mas parou na semifinal, contra o Grêmio. Como foi?
T – O fato de termos perdido a classificação para o Guarani, da forma que foi, nos abateu. Fomos para a semifinal da Copa do Brasil com aquela sensação de termos sido roubados de maneira escandalosa.


H – Para você, qual era o destaque desse grupo que chegou às duas semifinais?
T – O técnico Levir Culpi, certamente. Ele é um técnico moderno, extremamente profissional, que faz um trabalho tático muito superior ao que eu vi com outros treinadores. Aprendi muito com ele. Não é sem razão que ele está sempre sendo procurado por grandes clubes, como Cruzeiro e Atlético Mineiro.

H – No segundo semestre de 1991, você teve seu passe emprestado ao XV de Novembro de Piracicaba. Como foi sua passagem por lá?
T – Começamos muito bem, com o técnico Leão. Chegamos a liderar o campeonato por algumas rodadas, mas não conseguimos nos classificar para a fase final.

1992 - ÚLTIMO ANO NO CORITIBA

H – Em seu último ano no Coritiba, você ajudou o clube a voltar para a primeira divisão. Como foi?
T – O time era bom, mas não estava engrenando. Quando faltavam três rodadas para acabar a fase de classificação, precisávamos de três vitórias. Vencemos o Bangu em casa, mais o Criciúma e o Joinville fora. Foi uma grande festa.

H – No segundo semestre de 1992, acabou seu contrato e você se transferiu para o Atlético. O que o levou a esta mudança?
T – Com o retorno para a 1ª divisão, achei que minha missão no Coritiba estava encerrada. Então, o ponta Carlinhos, que tinha jogado comigo no Cruzeiro e estava no Atlético, me convidou para ir jogar lá, para que revivêssemos a boa parceria que formamos em Minas Gerais, e eu fui. O engraçado é que, logo depois, o Carlinhos recebeu uma proposta e foi embora do Atlético.

H – Tostão, em nome da imensa torcida Coritibana, que lhe admira muito, queria deixar nosso “muito obrigado” a você, que tantas alegrias nos deu com seu futebol refinado e gols importantes.
T – Não há de que. E a toda essa torcida maravilhosa, que sempre me tratou com respeito e carinho, um grande abraço.


Tostão era sinônimo de alegria.