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DIRCEU KRUGER
"Uma vida e quase literalmente uma vida, dedicada ao Coritiba. E tudo começou com ele provocando um desespero total naquele que seria o seu clube, a sua casa, a sua família por mais de 40 anos. Foi ali onde hoje está instalado um supermercado (BIG), na Avenida das Torres, local do campo do Britânia, clube que o tirou do Combate Barreirinha para mostrá-lo ao mercado futebolístico. Britânia x Coritiba, um jogo difícil, pois o time local conseguira se reforçar, mesclando experientes jogadores e jovens como o Krüger. Já se falava nele, 19 anos, como uma das grandes revelações do campeonato. Canhoto, sutil no toque, perfeito no arremate, e acima de tudo, preciso. A bola lhe foi lançada ao lado da área. Correu para a cobertura outra grande figura da história coritibana, que foi o zagueiro Nico. Era imbatível no seu setor. Na área, mandava ele. Viril, mas sem nunca ter contundido um adversário. Foi para a antecipação, quando Krüger usando sua canhota, deu-lhe um corte que o fez cair. A torcida prendeu a respiração e ficou surpresa com a ousadia do jovem. Um mês depois, o presidente Lincoln Hey contratava Krüger. Daí em diante, ele cada vez mais se aprimorou. Um jogador de extrema categoria, "finesse" e requinte em todos os seus contatos com a bola. No início fez uma dupla memorável com Walter. Dos dois um lance fantástico: Coritiba x Santos. O Cori ganhava por 2 x 0, com gols dos dois, quando o Santos fez o seu gol. Restavam cinco minutos. O Santos não queria perder. Deram a saída e os dois foram tabelando até a meia lua. O penúltimo toque foi dele, com sutileza, passando a bola pelo vão das pernas de Ramos Delgado. Chegou enxuta para o Walter mandar um balaço. Cori 3 x 1. O Monumental Belfort Duarte, ainda em construção, quase veio abaixo. Estava marcado o início de uma carreira maravilhosa de um grande profissional que transformou seu clube num prolongamento de sua vida. Acidentes aconteceram com ele, quase.morreu no campo do Água Verde, após um choque com o goleiro, fraturou a clavícula em Londrina, num jogo decisivo, mas em compensação fez gols memoráveis, como o do 1 x 0 na decisão do campeonato, contra o Paranaense e tantos e tantos outros gols que levavam a sua marca, onde o requinte se sobrepunha como uma constante para traduzir sua imensa categoria. Até hoje está ele lá. Várias vezes técnico, dos juvenis, dos profissionais e hoje em função administrativa nas categorias de base. O tempo passou, mas cada vez mais se fortalece sua marca de um excepcional coritibano." (por Vinícius Coelho)
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