ENTREVISTA
Dirceu Krüger foi o maior ídolo da torcida coxa-branca na década de 60. Depois de pendurar as chuteiras, em 1976, permaneceu no clube exercendo diversas atividades, entre elas a de treinador do time profissional, das categorias de base e também de auxiliar técnico. Em fevereiro de 2006, Krüger completa quarenta anos de muito amor e dedicação ao Coritiba. Leia a seguir a entrevista exclusiva concedida por ele aos Helênicos:
COMO TUDO COMEÇOU
Helênicos – Krüger, seu sobrenome aponta para uma ascendência alemã, qual a sua origem?
Krüger - Meus bisavós paternos eram de Hamburgo, na Alemanha.
H - Como o futebol entrou em sua vida?
K - Meu pai, seu Acácio, torcia pelo Coritiba e pelo Botafogo. Na época, era comum as pessoas torcerem por um time da cidade e outro de fora. Ele me levava ao antigo Belfort Duarte para assistir às partidas do Coxa quando eu ainda era garoto.
H – Você lembra de alguma partida em especial que tenha assistido?
K - Sim, claro. Coritiba x Santos, acredito que em 1960. Neste jogo, Pelé meteu a bola por baixo das pernas de nosso zagueiro Bequinha. No segundo tempo, Bequinha retribuiu dando um chapéu no rei.
H - Deve ter sido emocionante. E seu início no futebol, quando foi?
K - Com 16 anos, comecei no Combate Barreirinha, que na época era apenas um clube de bairro. No ano seguinte, 1962, passei por uma "peneirada" no União Ahú e fui selecionado como ponta-esquerda.
H - Você jogava na ponta-esquerda?
K - (risos) Na verdade, eu perguntei a meu colega que conhecia o clube qual a posição menos procurada e, assim, me inscrevi como ponta. Mas, depois dos primeiros treinos, o técnico me deslocou para a posição que eu gostava de jogar, ponta-de-lança. Corresponderia hoje, digamos, a um meia avançado.
H – Você ficou muito tempo no futebol amador?
K - Não. No ano seguinte assinei com o Britânia, clube que anos depois se juntou ao Ferroviário e ao Palestra Itália para formar o Colorado. No Tigre (como era conhecido o Britânia), joguei até o final de 1965.
CHEGADA AO CORITIBA
H - Você chegou ao Coritiba em fevereiro de 1966. Por que o clube foi buscá-lo?
K - (risos) Bem, eu costumava dar certo trabalho ao "trio-de-ferro" (Coritiba, Atlético e Ferroviário). Em 1964, por exemplo, fiz seis gols nos jogos contra estes três clubes.
H – Desta época, há uma história envolvendo você e nosso grande zagueiro Nico. O que houve?
K - Além de muito vigoroso, Nico era extremamente rápido. Em certo momento do jogo, ele foi muito "seco" para me tirar a bola e acabou driblado. Pela velocidade do lance, acabou caindo sentado no chão...
H - Meses depois, o presidente coritibano Lincoln Hey mandou buscá-lo?
K – Sim. Eu vim do Britânia em 1966, junto com o lateral Antero. O Coritiba pagou vinte milhões de cruzeiros pelo passe da dupla.
H - Como foi sua estréia?
K - O Coritiba disputava um torneio de verão e enfrentamos o Grêmio Porto-Alegrense. Perdíamos por 1x0, mas conseguimos empatar.
H – Fale mais sobre este jogo. O gol de empate foi seu e feito no último minuto de jogo depois de driblar o famoso zagueiro Aírton. Começo bem auspicioso o seu.
K - Realmente, não posso me queixar.
H - Fizemos um levantamento de sua carreira e verificamos que você fez gol nas oito primeiras partidas que disputou pelo alviverde. Isto é um recorde!
K – É mesmo? Eu não sabia disso.

Primeiro gol pelo Coritiba, contra o Grêmio(RS)
PRIMEIRAS TRISTEZAS
H - O que é o tal “Drible com o olhar”?
K - Isso aconteceu em 1967, durante um Atletiba. Cobraram a lateral para mim, a bola veio rasteira e forte na grande área adversária. O zagueiro atleticano Charrão correu em minha direção. Olhei para ele e fiz um movimento com o olhar. Ele imaginou que eu fosse tentar driblá-lo e gingou para evitar. Eu simplesmente passei reto por ele e fiz o gol. Driblei-o, aliás, sem ter tocado na bola.
H - Qual foi o resultado deste Atletiba, você se recorda?
K - Ah, goleamos o Atlético por 5x0.
H - Pena que 1967 não terminou tão bem para você e para o Coritiba.
K - É verdade. Na última rodada do regional, jogamos fora de casa contra o São Paulo de Londrina. Uma vitória nos daria o título. Uma grande caravana de torcedores coxas-brancas, aliás, seguiu para o norte de estado. No começo do 2º tempo, o placar apontava 0x0, passei pelo zagueiro Sebastião, que me agarrou pela camisa, mas, querendo dar seguimento ao lance, continuei correndo e acabei caindo no chão. Sebastião caiu em cima de mim. Resultado? Tive a clavícula quebrada.
H - Isto prejudicou o alviverde?
K - Naquele tempo, só se podia substituir atletas até o final do primeiro tempo. Quando eu saí de campo, o Coritiba ficou com dez homens. Logo depois, tomamos um gol, perdemos o jogo e o título estadual.
H – Você ficou muito tempo parado?
K – Felizmente, minha recuperação foi rápida, dois meses depois eu estava de volta.
SANTOS NO CAMINHO
H - E aí você foi enfrentar o Santos, time sensação daquela época. Como foi?
K – Era fevereiro de 1968 e o Santos retornava de excursão vitoriosa pelo Chile, mas o Coritiba começou vencendo por 2x0. Aos 44' do segundo tempo, o Santos fez seu gol. Ali, sentimos dos jogadores paulistas certo ar de "agora vamos mostrar pra eles quem somos nós".
H - E o que aconteceu depois?
K - Eu dei a saída do meio-de-campo para o Walter, ele me devolveu e fomos tabelando. Avançamos sem sermos parados por nenhum atleta santista. Quando o Walter viu uma brecha na defesa adversária, chutou forte e decretou: Coritiba 3x1.
H – Então vocês mostraram a eles “que era o Coritiba”. Fale um pouco sobre o Walter.
K - Joguei dois anos com ele. Formamos uma dupla afinada dentro e fora de campo. Somos muito amigos até hoje.
CAMPEÃO NO ÚLTIMO MINUTO
H - Tudo corria bem, até que o Vermelho apareceu em seu caminho. O que houve?
K - Isso foi em maio de 1968. Na partida contra o Britânia, fui dividir uma bola com o zagueiro Vermelho, mas acabei levando a pior e fraturei meu tornozelo.
H - Mais uma contusão séria. Quanto tempo parado?
K - Voltei a jogar em julho e, em agosto, decidimos o título contra o Atlético.
H - Ainda bem que você voltou a tempo.
K - Pois é. Ganhamos a primeira partida decisiva por 2x1, e eu tive a felicidade de fazer o segundo gol. Na partida final, jogávamos pelo empate, mas o Coritiba perdia por 1x0 até o último minuto do jogo. Então, nosso lateral Nilo cobrou uma falta na cabeça de Paulo Vecchio, que testou para as redes. Foi o gol do título.
H - Uma emoção forte, certamente.
K - Da forma como foi obtida, em cima do grande rival e no último minuto de jogo, torna-se indescritível. Aliás, nosso técnico, Francisco Sarno, sempre nos dizia: "Quando vocês ganharem o primeiro título, vão gostar tanto da emoção, que vão buscar novas conquistas por toda a vida".
H - E você buscou muitos outros títulos em sua carreira, não é mesmo?
K - Tive sorte de estar presente em uma fase de ouro do Coritiba.
ENFRENTANDO A SELEÇÃO BRASILEIRA
H - E pelo Coritiba você enfrentou até a Seleção Brasileira. Como foi?
K - No final de 68, o Coritiba fez um amistoso contra a Seleção de Carlos Alberto, Rivelino, Gérson, Jairzinho, Tostão, Paulo César e Pelé. O jogo servia para recebermos as faixas de campeões regionais. Acabamos de receber as faixas e voltamos aos vestiários para trocar de camisas. Tiramos a alviverde do Coritiba e colocamos a da Seleção Paranaense. Nessa partida, nosso lateral Nilo defendeu a Seleção "Canarinho".
H - Pena que o resultado não foi tão bom.
K - Mas perdemos apenas por 2x1. E o gol da vitória do Brasil só saiu aos 44 minutos do segundo tempo.
H – Mais algum destaque?
K - Ah, eu fui o capitão da nossa equipe naquela partida.

Time coxa contra seleção canarinho
BICAMPEONATO E EXCURSÃO AO EXTERIOR
H - Vamos para 1969. O bicampeonato foi mais tranqüilo?
K - Era praticamente o mesmo time de 68, só que mais entrosado. Ganhamos o título com gol de Lucas, cobrando falta, lá no velho estádio Orestes Thá.
H – O título foi ganho na penúltima rodada?
K – Sim. Na última partida, que não valia nada, enfrentamos o Atlético com nosso time reserva.
H – E qual foi o resultado?
K - Empatamos com o time de Djalma Santos, Belini, Sicupira, Nilson Borges e companhia.
H - Dias depois, o Coritiba embarcou para a Europa pela primeira vez. Fale um pouco a respeito.
K - Essa excursão foi fantástica. Jogamos contra times de primeira grandeza e fomos muito bem.
H - Alguma curiosidade sobre sua primeira excursão?
K - Na estréia, empatamos em 1x1 com o Hamburgo e o gol do Coritiba foi feito por mim. Em Hamburgo, vi diversas placas com o nome Krüger. Só quando voltei é que fiquei sabendo que minha família veio de lá. Ter feito gol na terra dos meus bisavós foi uma coincidência bem interessante.
EVANGELINO DA COSTA NEVES
H - Em 1970, o Atlético Mineiro ofereceu um milhão de dólares por seu passe, mas o presidente Evangelino da Costa Neves recusou, dizendo que nem pelo dobro eles o levariam. Você tem mágoa disto?
K - De forma alguma. Embora, antigamente, a oferta feita fosse considerada alta pelo passe de um atleta, nunca desejei sair do Coritiba. E nem Evangelino gostava de se desfazer de seus atletas. Aliás, sempre tivemos uma relação muito boa. Ele me chamava de filho e eu o chamava de segundo pai.
H - É verídica a história de que o Vasco, em 1970, veio ao Paraná para tentar adquiri-lo, procurando por um “atacante loirinho bom de bola, cujo nome começava por K”, e o presidente Evangelino vendeu a eles o Kosilek, que era seu companheiro de ataque?
K - Bem, quem conta essa história é o presidente. O que eu sei é que o Coritiba venceu o Vasco duas vezes no final de 1969 e os cariocas, então, mostraram interesse no meu futebol. Mas eu não sairia do Coritiba, de qualquer forma.

A Dupla KK (Krüger e Kosilek)
O ACIDENTE
H – No dia 11 de abril de 1970, sua vida mudou, não é mesmo?
K - Eu completava 25 anos naquele dia, e o Coritiba enfrentava o Água Verde. O placar estava 0x0 quando recebi a bola de Werneck, na entrada da área adversária, e fiquei sozinho, de frente para o goleiro Leopoldo. Dominei a bola no peito e Leopoldo veio correndo em minha direção. Toquei por cima dele, visando encobri-lo, e, quando me afastei para o lado, para ver se a bola entraria, choquei-me com ele. A dor foi imensa. Fui internado de urgência no Hospital do Cajuru e, quando acordei, soube que minhas alças intestinais haviam se rompido.
H – O quadro clínico era dos piores.
K - Nas primeiras semanas, as mais críticas, fiquei entre a vida e a morte, chegando a receber extrema-unção.
H – Mas, felizmente, você se recuperou. Como foi?
K - Foram quase setenta dias hospitalizado, sob os cuidados do doutor Bezed Nassif Júnior, chefe da equipe médica. Havia romaria de torcedores do Coxa no Hospital. Eles passavam o dia rezando por mim. Até o presidente do Atlético, doutor Lauro Rego Barros, mandou rezar missa pela minha recuperação. Aliás, em um momento tão difícil para mim e minha família, recebi como presente inestimável o afeto e o apoio do povo curitibano, que me deu forças para voltar a jogar futebol.

Do gramado direto para o Hospital
RETORNO AOS GRAMADOS
H - Sua volta aos gramados aconteceu durante a excursão de 1970, certo?
K - Em novembro de 70, o Coritiba viajou para a Europa. O técnico Mauro Ramos decidiu que eu deveria acompanhar a delegação e foi me colocando aos poucos na equipe, no decorrer das partidas.
H - Mas aconteceu um fato emocionante, não foi?
K - Na Romênia, fiz meu primeiro gol após o acidente. Foi grande a emoção que esse gol causou em mim, nos atletas e nos dirigentes do Coritiba. Engraçado é que, encerrada a partida, um jornalista curitibano, que narrava o jogo, pediu para que eu viesse transmitir minha emoção ao povo curitibano. De camisa, calção, meias e chuteiras, subi pelas arquibancadas até as cabines, provocando muita curiosidade no povo romeno.
H - E dias depois você fez um golaço. Como foi o lance?
K - Pois é, isso aconteceu na Argélia. Tive a felicidade de driblar quatro defensores da Seleção Argelina e fazer o gol quase sem ângulo. Acredito que este é o gol mais bonito de minha carreira.
GOL DO TÍTULO
H – Mas, certamente, o gol mais importante você fez em 1972, na decisão do paranaense, contra o Atlético, não é mesmo?
K - É verdade. A decisão foi em duas partidas. Na primeira, eu fiz o gol e vencemos por 1x0.
H - Na segunda partida houve um empate em 0x0 e a conquista de outro bicampeonato. Então, este foi o gol do título, certo?
K – É. Aliás, o Doutor Bezzed Nassif Júnior, que cuidou da minha saúde após o acidente que tive em 1970 e é atleticano fanático, reclamou pra mim depois que vencemos a partida, achando que aquilo era "sacanagem", ele ter me tratado e eu ser tão "mal agradecido" (risos).
H – Conte-nos como foi este gol tão importante.
K - Nosso avante Hélio Pires cruzou da esquerda, fui mais rápido e apareci de repente na frente do zagueiro Alfredo Gottardi. Toquei "de chapa" na bola, longe do alcance do goleiro Picasso.
H – Esta tremenda velocidade lhe valeu o apelido de “Flecha Loira”. Quem lhe deu este apelido?
K – O jornalista Albenir Amatuzzi chamou-me assim e o apelido pegou.
H - Além de “Flecha Loira”, você tinha outro apelido. Não é mesmo?
K - Tinha? Ah, Schneider. Era um apelido usado apenas entre os atletas.
FITA AZUL
H - Ainda em 1972, você participou da famosa excursão pela Europa e África. Como foi?
K - Outro momento feliz do clube. Não fomos derrotados nenhuma vez e, por isso, recebemos o título honorífico de “Fita Azul”.
H – Você lembra de alguma curiosidade desta excursão?
K - Na cidade de Setif, na Argélia, que fica a cerca de 200 km do deserto do Saara, quando chegamos ao gramado, vimos caminhões-pipa molhando o piso. Isso era feito para evitar que, durante a partida, um vento mais forte levantasse muita poeira.
DESPEDIDA DOS GRAMADOS
H – Por que você abandonou a carreira com apenas trinta anos de idade?
K - Desde o acidente, passei a jogar com uma cinta elástica para proteger a área do intestino. Em 1975, aconteceu algo que mudou a visão que eu tinha a respeito do meu estado de saúde. Ao disputar uma bola, um atleta adversário, involuntariamente, bateu com a mão no local onde sofri a operação. Senti uma dor horrível, semelhante à do acidente. Foi então que percebi que, desde 1970, colocava minha vida em risco cada vez que jogava ou treinava. Também os antibióticos que tomei para me recuperar acabaram prejudicando minha visão.
H – E, assim, abandonou o futebol no início de 1976?
K – Sim. Em fevereiro de 76, o clube homenageou-me. Foi minha despedida informal, dei uma volta no gramado, mas não cheguei a disputar a partida, que, aliás, foi um Atletiba.
H – Somente por curiosidade, qual o resultado da partida?
K - Ganhamos por 1x0, gol de Eli.

Abandonando os gramados
NOVO INÍCIO
H - Ao deixar os gramados, o presidente Evangelino lhe ofereceu um cargo, qual foi?
K - Passei, então, a auxiliar do técnico, que na época era Jorge Vieira. Quando, em junho, ele deixou o posto, eu e o supervisor de futebol Hélio Alves assumimos interinamente a equipe até a chegada de Dino Sani.
H - A primeira partida em que você dirigiu formalmente o Coxa foi contra o Grêmio Porto-Alegrense, em setembro de 1979?
K - Sim e não. Eu estava no banco, mas Elba de Pádua Lima, o Tim, já havia sido contratado e deu as instruções para os atletas no vestiário.
H - De qualquer forma, nota-se aí uma coincidência, pois sua partida de estréia no Coritiba, como atleta, também foi contra o Grêmio Porto-Alegrense.
K - Pode ser, mas a primeira partida em que realmente dirigi a equipe foi em novembro, contra o Brasil de Pelotas, quando da saída de Tim.
TÉCNICO EFETIVO PELA PRIMEIRA VEZ
H - Nos anos seguintes, você continuou como auxiliar técnico, dirigindo a equipe interinamente entre a saída de um treinador e a chegada do próximo. Mas, em 1984, isto mudou. Como foi a primeira experiência como técnico efetivo?
K - Quando o técnico Dudu deixou o time, em fevereiro de 84, o Coritiba estava mal no Campeonato Brasileiro. O presidente Evangelino me deu a direção da equipe por mais algumas partidas, até que a 1ª fase acabasse. O esperado é que fossemos eliminados, mas conseguimos reverter a situação e o time embalou. Fomos parados apenas nas quartas-de-final pelo Fluminense, que acabou campeão.
H - Na primeira partida das quartas-de-final, em Curitiba, aconteceu uma situação estranha, envolvendo cartões amarelos. Você está lembrado?
K - Quatro jogadores estavam “pendurados”: Toby, Carlinhos Maracanã, Lela e Edson. Estranhamente, todos eles foram “contemplados” com o 3º cartão amarelo e não puderam disputar a partida de volta, no Rio. Bem desfalcados, perdemos o jogo.
H - Pegar um time que estava praticamente desclassificado e levá-lo à fase final do Brasileiro foi um resultado excelente.
K - Queria frisar que a presença de Odivonsir Frega foi fundamental. Além do trabalho de qualidade, na preparação física, Frega motivou muito o grupo de atletas.
H - Se olharmos o time montado por você, veremos André, Gomes, Vavá, Toby, Marco Aurélio, Lela, Índio e Edson. São oito titulares do time que, no ano seguinte, tornou-se campeão brasileiro. Isto já mostra uma grande participação sua naquele título, certo?
K – É, a base veio de 1984 mesmo.

Como técnico, entre os oito do Brasil
INTERINO QUE VALE OURO
H - Nos anos seguintes, você continuou como auxiliar técnico. A cada saída de treinador, lá estava o Krüger dirigindo a equipe enquanto não era definido o novo contratado para o posto. Nestes anos, você teve contato com muitos técnicos, não é mesmo?
K - Sem dúvida. E cada treinador trouxe novos conhecimentos e opiniões que tive a oportunidade de conhecer.
H - Quais destes técnicos foram mais marcantes?
K - Cada um teve sua importância. Em termos de amizade, fiz vínculo mais forte com Carpeggiani e Borba Filho.
H – Quando disputava a segunda divisão em 1995, o Coritiba encontrava-se em situação difícil. No quadrangular, após três empates e uma derrota, Carpeggiani disse não acreditar mais na classificação. Foi demitido e você assumiu em seu lugar. Operou-se um milagre, na seqüência ?
K – De certa forma. Vencemos o Remo e precisávamos ganhar do Ceará em Fortaleza e torcer para o Remo não vencer o Mogi Mirim em casa. Fizemos nossa parte, ganhando do Ceará, mas nosso jogo terminou dez minutos antes. Nossos atletas sentaram-se no meio do gramado e Edu Brasil foi informando o andamento da partida em Belém. Quando acabou, o Coritiba estava classificado. Jogadores, comissão técnica e jornalistas, todos se uniram de uma forma muito bonita. Foi emocionante viver isto...
H - Em 1996, a situação novamente se complicou para o Coritiba. Como foi?
K - Fazíamos fraca campanha no Brasileiro e podíamos ser rebaixados para a segunda divisão. Peguei a equipe nessa situação e, felizmente, arrancamos vencendo duas partidas seguidas, contra Paraná e Vasco, no Maracanã. Na seqüência, outros bons resultados salvaram a equipe.
H – Entre estes bons resultados, estão a vitória contra o Grêmio, em pleno Estádio Olímpico, e a goleada de 4x0 na Portuguesa, não é mesmo?
K - É verdade. E Grêmio e Portuguesa decidiram o título semanas depois. Outra coisa importante: neste ano, pela primeira vez, trabalhei com auxiliar técnico, que foi fundamental para os resultados alcançados pela equipe.
H – Quem foi seu auxiliar ?
K – Cláudio Marques, companheiro que felizmente está conosco até hoje, emprestando sua competência em prol do Coritiba.
RECORDISTA COMO TÉCNICO TAMBÉM
H - Segundo nosso levantamento, você é o segundo técnico que mais dirigiu o Coritiba. Apenas Félix Magno tem mais partidas.
K - Ele era meu técnico em 1966, quando estreei no alviverde.
H - Mais uma coincidência. Aliás, quais as maiores características de Félix Magno?
K – Era um técnico exigente, competitivo. Ele tirava o máximo do atleta. Exigia que os jogadores fossem disciplinados taticamente.
AGRADECIMENTOS
H - Como Dirceu Krüger vê a torcida do Coritiba?
K - É uma torcida que sempre foi muito exigente e que entende de futebol. Ela não se contenta com pouco. Tornar-se ídolo da torcida coxa-branca é um atestado de que o jogador tem muita qualidade.
H - Krüger, apenas podemos agradecer pela entrevista, pois seria impossível e insuficiente qualquer forma de agradecimento pelo que você fez pelo Coritiba nestes quarenta anos de dedicação.
K - Obrigado.
H – Esquecemos de fazer uma pergunta. No lance que quase lhe levou a vida, aquele em que você encobriu o goleiro do Água Verde, a bola entrou?
K - Sim. Quase morri, mas fiz o gol do Coritiba.

Ídolo da torcida há 40 anos
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